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| GRUPO PORTUGUÊS DE PERCUSSÃO |
O Grupo lança o seu primeiro trabalho em 1983 (“Rui Júnior e o Ó que som tem?”).
Os concertos realizados a partir dessa data e a solicitação dos elementos do grupo noutros projectos ditam um interregno de estúdio, quebrado em 1995 para gravação do CD “Ó TAMBOR” (1996) e “O Mundo não quer acabar“ (1998). Da sua actual formação, em trio, quarteto, quinteto ou sexteto, fazem ainda parte, complementarmente a Rui Júnior, Henda, Mil-Homens, Viky, Marte e Pedro Santos.
Será certamente consensual afirmar que a percussão desperta actualmente mais interesse e está mais amplamente divulgada que nunca. Existem hoje miríades de artistas e grupos os quais, através de projectos com formatações e filosofias muito diversas, tentam transmitir o seu gosto pelo ritmo e pela variedade e sonoridades quase infindáveis desta categoria de instrumentos. Atrever-nos-íamos a dizer que, nas camadas mais jovens, assistimos a um explosivo fenómeno ‘de moda’, certamente cativadas pela simplicidade de assimilação da técnica necessária e relativa facilidade com que se obtêm rápidamente resultados satisfatórios por parte de quem experimenta estes instrumentos.
Atrevemo-nos a afirmar, com algum conhecimento de causa, que quando o grupo ‘o Ó que som tem?’ surgiu, em 1983, este terá sido o primeiro grupo de percussão em Portugal a assumir o ritmo como elemento fundamental. Embora existam desde sempre grupos de bombos espalhados por todo o País, a filosofia inovadora deste grupo, por força da formação académica dos músicos que integraram a sua formação inicial e do naipe diversificado de instrumentos utilizados, contribuiu para criar, desde a sua génese, um ‘produto’ perfeitamente distinto, o qual viria a tornar-se uma actual referência no panorama e história da música percutida feita em Portugal.
Os espectáculos do grupo ‘o Ó que som tem?’ continuam ainda hoje a assentar a sua prestação em fórmulas presentes sobretudo na ‘filosofia’ do jazz, isto é, utilizando padrões, fórmulas e sinalécticas préviamente definidas, as quais servem de mero ponto de partida de um processo evolutivo de pesquisa e exploração ao longo da prestação ao vivo. As ambiências diversas sugeridas ao longo de cada actuação são assim únicas, tornando cada apresentação completamente distinta das outras, uma vez dependentes da inspiração de cada um dos músicos intervenientes e do diálogo que este elemento despoleta no conjunto. Utilizando de forma abusiva uma expressão transmitida por um espectador que nos merece a maior credibilidade a todos os níveis (sobretudo porque provavelmente gosta de nós!), uma actuação do ‘o Ó que som tem?’ tem à partida todo o potencial para torná-la uma experiência surpreendente, inspiradora e memorável. |
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